Saudade da ditadura

Em 1972 o Brasil vivia numa ditadura ferrenha, que torturava, matava e fazia desparecer. Mas a Economia ia de vento em popa para os poucos de sempre e a classe média. Era o “milagre brasileiro”, sob o comando do general Emílio Garrastazu Medici. Os militares queriam um grande evento para comemorar os 150 anos da independência e os bons ventos da Economia. Foi pedido a Portugal, que na época também era uma ditadura, os restos mortais de Dom Pedro I, que também foi rei na “terrinha”. Portugal, um dos últimos países a ter colônias na África, precisava muito do apoio brasileiro, e concedeu. Os restos mortais de Dom Pedro passearam durante seis meses por todas as capitais brasileiras até chegar ao Museu do Ipiranga, em São Paulo, onde deveria descansar definitivamente. Mas o caixão feito pelos portugueses era maior do que o espaço reservado ao “nosso libertador” e os despojos de Pedro I esperaram ainda por alguns anos para ter uma morada definitiva. Os portugueses ficaram com o coração, cuidadosamente preservado. Coração esse que o atual governo quer agora para a festa dos 200 anos da independência.

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