O desdém de Bolsonaro diante do horror

A vida na floresta nunca morre. Floresce. Todos os dias. É milenar. As plantas, as águas, as flores, os frutos, as sementes, os bichos, os povos ancestrais. Essa é a Amazônia. Por ela, muitos lutam, e quase sempre morrem. Os bem pagos, a soldo, a destroem por ouro, madeira, pesca ou sabe-se Deus por quê? O que dizer às viúvas do jornalista inglês Dom Phillips, Alessandra Sampaio; e do indigenista Bruno Pereira, antropóloga Beatriz Matos, ao receberem os corpos imolados dos seus maridos. Qual sentimento retrata esse luto? Como atravessar esse vale de lágrimas? Como viver essa dor que não cabe resignação e, sim, revolta e indignação por esse crime tão horripilante. O mundo consternado e Bolsonaro desdenha, mais uma vez, a tragédia. Na sua pouca ou nenhuma perspicácia para perceber e entender a vida ao seu redor, saiu-se com a desumanidade que caracteriza sua personalidade desde sempre: “É eu subir o morro em uma comunidade no Rio de Janeiro com esse olho azul e essa cara. Vou para o micro-ondas ou não vou?”. Chega a ser doentio. A um chefe de estado cabe defender o direito do cidadão de ir e vir, na Amazônia ou no morro, seja lá qual for a cor dos seus olhos. Não à toa o eleitorado feminino o rejeita com veemência e, em alguns casos, com ojeriza.

Os comentários estão encerrados.

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: