Do além para a cadeira presidencial 

O verbete pressentimento em qualquer dicionário da língua portuguesa é o conhecimento do que vai acontecer, obtido por intuição, previsão, palpite, presságio. Já no governo Bolsonaro é o vazamento de informações para uma pessoa prestes a ser presa: o ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro. É também obstrução à justiça cometida por aquele que, por princípio constitucional, jamais deveria cometê-la. Dever moral nem há que se comentar, visto que inexiste no clã que governa o Brasil. A palavra pressentimento varreu a Internet e deu mais Ibope que a famosa vidente Mãe Dináh, cujas previsões tornaram-na uma celebridade do sexto sentido: a intuição que agora acomete o mandatário do país. Já na Polícia Federal não são nada intuitivas as dezenas de exonerações, afastamentos e transferências de delegados que, em vez de bola cristal, tarô e búzios, seguem as investigações com seriedade e independência. Só para citar alguns: delegada Silvia Amelia da Fonseca exonerada no caso Allan dos Santos; delegado Hugo Correia, afastado da investigação de Jair Renan, filho “04” do presidente; delegados Alexandre Saraiva e Thiago Leão defenestrados após apurações contra o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e supostas ligações com a extração de madeira ilegal na Amazônia. Para fechar a lista, o delegado Daniel Grangeiro afastado após investigações contra Arthur Lira e um desembargador supostamente ligado a Humberto Martins, ministro e presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Agora é aguardar se o delegado Bruno Calandrini, responsável pela operação Acesso Pago, que levou à prisão do ex-ministro Milton Ribeiro e pastores ligados ao esquema de assalto no MEC, vai para o corredor ou para a geladeira; termos usados pelos agentes para quem está em estado de fritura. Só Mãe Dináh poderá responder do além!

Os comentários estão encerrados.

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: