O vice encrencado

Medo, insegurança e descaso. Essas três palavras reunidas simplificam bem o sentimento do presidente Jair Bolsonaro ao escolher o General Braga Netto para ser o seu vice. Medo: teme que escolhendo a ex-ministra Tereza Cristina — a preferida do PL — venha a sofrer um impeachment provocado deliberadamente pelo Centrão para tomar-lhe a cadeira presidencial no futuro. Insegurança: não confia em ninguém além do Zero Um, seu filho predileto, Flávio Bolsonaro. Aliados políticos, nem pensar. Na sua visão míope, o general Braga Netto não lhe roubaria a cadeira; podendo até assegurá-la em caso de grave crise institucional. Ledo engano: o poder seduz a todos — de fardados a civis. Lembrem-se do general Hamilton Mourão, que flertou com a possibilidade de Bolsonaro ser impedido. Descaso: se antes já tinha dificuldades em ouvir, agora tapou de vez os ouvidos. Não escuta nem o marqueteiro Duda Lima, nem o núcleo duro da campanha, que inclui os ministros Ciro Nogueira, o senador Flávio Bolsonaro e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que andam cabisbaixos com o descaso do capitão. Em sua viagem ao Nordeste fez tudo ao contrário do que lhe recomendaram: insistiu no caso do ex-ministro Milton Ribeiro, voltou novamente suas baterias para o Supremo e bateu na surrada tecla das urnas eletrônicas. O clima de fim de festa está no ar em todos os gabinetes mais próximos à sala presidencial. E Bolsonaro está assim: o que os olhos não veem a paranoia inventa.

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