Ousadia dos fichas sujas

O Congresso brasileiro adentrou a um pântano político-institucional sem fim e não é de hoje. Desde a Constituinte, em 1988, que existe o conceito de Centrão. Ou seja, um grupo de parlamentares, negocistas, dispostos a tudo; mais egressos do “baixo clero”, que por um punhado de dólares é capaz de votar até contra a mãe, que dirá contra os interesses populares ou a melhoria de condições de vida da população. A situação piorou quando irromperam os grupos temáticos, com poderosos lobbies, Bala, Boi, Bola, Agronegócio e Evangélico, principalmente os neopentecostais, da teologia prosperidade. Esse caldo de disparates não podia dar em coisa boa e não deu. O Bolsonarismo é o produto mais bem-acabado dessa soma de todo tipo de tonterias. Desde que se sentiram empoderados, com a vitória de Jair Bolsonaro, em 2018, perderam completamente os limites. Agora, um grupo de 19 deputados federais, entre eles as musas bolsonaristas, Carla Zambelli (PL-SP) e Bia Kicis (PL-DF), todo com fichas não exatamente limpas; pede ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, que proíba a Folha de São Paulo e as empresas do Grupo Globo de divulgar informações sobre o Projeto de Lei 2630, das Fake News. O grupo pediu ainda que o Supremo interrogue os veículos no inquérito. Na petição, a turma aponta uma suposta “utilização de mecanismos ilegais e imorais, com abuso do poder econômico, para manipular a opinião pública e impactar o voto dos parlamentares na apreciação do PL n° 2.630”. Imoralidade? Essa é boa. O nome disso é censura. E o nobre grupo de deputados sabe disso. Aliás, o retrocesso parece ser a pauta prioritária dessa turma, que impulsiona grupos que pedem nas redes sociais a rejeição ao resultado das eleições, a volta dos militares e a destruição dos adversários políticos e por fim ditadura.

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