É muito pouco comum, até mesmo para os padrões da diplomacia dos Estados Unidos, que numa mesma semana dois ex-secretários de Estado visitassem a China, depois de meses de confrontos verbais entre os dois países. John Kerry, enviado especial do clima de Joe Biden e chefe do Departamento de Estado no segundo governo de Barack Obama, manteve conversações oficiais em Pequim para deslanchar um programa de cooperação entre os dois maiores poluidores do mundo. Já Henry Kissinger, ex-secretário de Estado na administração Richard Nixon e 100 anos completados no final de maio, iniciou na terça-feira uma visita surpresa à China, 52 anos após a sua primeira viagem ao país, em 1971, aquela que deu o pontapé de partida para a aproximação entre as duas potências. Kissinger foi recebido pelo presidente chinês, Xi Jinping. A nostálgica viagem do Dr. Kissinger, como definiu a imprensa americana, chegou mesmo a ofuscar o recente deslocamento a Pequim do atual secretário de Estado, Antony Blinken. “A política americana em relação à China precisa de uma sabedoria diplomática ao estilo de Kissinger e de uma coragem política ao estilo de Nixon”, resumiu Wang Yi, o principal diplomata chinês.