No Rio de Janeiro, onde hoje é difícil distinguir o bem do mal, há uma pergunta que não quer calar. Por que o miliciano Luiz Antônio da Silva Braga, mais conhecido como Zinho, se entregou à Polícia Federal-PF, no último domingo (24/12)? A resposta completa daria um romance político-policial. Foragido desde 2018, o chefe da maior milícia do estado do Rio de Janeiro, tem dinheiro e conexões suficientes para se manter em liberdade. Mas o empoderamento da PF pelo atual governo e o completo alijamento das polícias, militar e civil, em questões complexas como o assassinato da vereadora Marielle Franco e a investigação sobre os tentáculos das milícias no estado, mudou o jogo. O primeiro sinal foi a operação que fez buscas na casa da deputada estadual Lúcia Helena Pinto de Barros, a Lucinha, do PSD. Chamada de “madrinhas” em ligações interceptadas pela PF, teve 15 encontros com Zinho só em 2021. Por ser parlamentar, escapou das grades, mas teve celulares e computadores apreendidos. A operação acendeu o sinal vermelho tanto no “setor político” como no grupo de Zinho, que percebeu que tinha se transformado num arquivo vivo e poderia ter um fim trágico, como outros na mesma condição. Bangu Um, nas atuais circunstâncias, pode ser o lugar mais seguro para ele. Com os recursos e conexões que tem, pode continuar administrando os negócios, com as regalias que o dinheiro pode comprar num presídio.