A recente eleição para o Conselho Federal de Medicina (CFM) revelou um preocupante cenário de politização e ideologização da entidade que deveria, acima de tudo, representar os interesses da saúde pública e da medicina baseada em evidências científicas. No entanto, o que se observa é uma crescente captura do conselho por forças políticas, alinhadas não a um compromisso com a ética médica, mas sim com interesses próprios e, frequentemente, alheios ao bem-estar dos pacientes. Por trás dessa movimentação ideológica, existe um elemento ainda mais nefasto: os vultosos jetons pagos pelas centenas de reuniões e milhares de pareceres emitidos. É inegável que essa remuneração paralela vem atraindo médicos que, em vez de se dedicarem ao atendimento de pacientes, estão preferindo viver do status e dos ganhos proporcionados pelos conselhos de medicina. Essa prática não só desvirtua a função original dos conselhos, mas também cria um abismo entre o médico e a sua real vocação, que é o cuidado direto com o paciente.