Ele construiu e destruiu o PDT

Após a campanha da anistia, a vida democrática recomeçou a prosperar no país. Na Bahia, o líder brizolista, que encarnava o autêntico trabalhismo, foi Hari Alexandre Brust. Com muito esforço, ele foi dando espaço aos movimentos sociais: jovens, aposentados, mulheres e ambientalistas passaram a frequentar a sede do PDT e, graças às assembleias semanais, tornaram o local conhecido como Ágora da Mouraria. Mas em 2004 Brizola partiu e tudo começou a mudar de figura. Brust, levando em conta a biografia do experiente político Félix Mendonça, apoiou e fez campanha para que o seu filho, homônimo, se elegesse deputado federal; engajou vários movimentos pedetistas na campanha e o Júnior chegou à Câmara Federal. Mas para o então presidente do PDT foi uma vitória de Pirro. E, talvez inspirado no cavalo de Tróia, Félix Mendonça Júnior tomou de assalto o partido, colocou Brust no ostracismo e, antes que a morte levasse aquele compatriota, agiu como um agente infiltrado por inimigos e desfez todo trabalho realizado com tanto sacrifício. Hoje, nenhum movimento é capaz de reunir multidões, a Ágora da Mouraria não produz lideranças populares e está prestes a virar um mausoléu. Claro que nem todo esse descalabro pode ser atribuído somente ao Félix Mendonça Júnior, vários apaniguados locais e a cúpula nacional do partido têm enorme parcela de culpa, neste ocaso do trabalhismo da Bahia. Félix construiu e destruiu o trabalhismo no território baiano.

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