Uma cidade à beira de um ataque de nervos

O Eixo do Mal da cidade do Rio de Janeiro, que mescla elementos dos três poderes, interesses políticos, milícias, policiais, bicheiros e muito dinheiro, está em polvorosa. Ronnie Lessa, o matador da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, decidiu “abrir o bico”, o que não é comum no mundo da “criminalidade de alto padrão”. A regra é o silêncio, “aguentar a bronca”. Esse silêncio, no entanto, não é gratuito. E tudo indica que a outra parte não cumpriu o combinado com Lessa. Não se pode descartar a possibilidade de que Lessa esteja apenas ganhando tempo. Já são cinco anos e nada. E dizem as más línguas que sem a PF o caso iria para a gaveta brevemente. Como se diz no meio, Ronnie Lessa “é malandro velho e escolado”. E não ia se expor sem um bom motivo. Delatar significa correr risco e enfrentar dramáticas consequências. Sendo honesta a deleção, certamente, vai colocar muita gente acima de qualquer suspeita no radar. 

Uma cidade à beira de um ataque de nervos II

A Polícia Federal ainda não divulgou detalhes sobre o acordo firmado com Ronnie Lessa, na semana passada, mas o conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, Domingos Brazão, surge como o mandante denunciado. O acordo de delação precisa passar pelo Superior Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Brazão tem imunidade. Aliás, não é a primeira vez que o nome de Domingos Brazão aparece na complicadíssima investigação do Caso Marielle/Anderson. Foi mencionado, no ano passado, pelo ex-policial militar Élcio Queiroz, que também optou pela delação. Élcio conduziu o carro para Ronnie Lessa durante o atentado.

Uma cidade à beira de um ataque de nervos III

Ex-vereador, empresário, deputado estadual por cinco mandatos consecutivos, Domingos Brazão tem 58 anos. Em 2019, foi acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por obstruir as investigações do Caso Marielle/Anderson. Na denúncia ao Superior Tribunal de Justiça, Dodge afirmou que Brazão “arquitetou o homicídio da vereadora Marielle Franco e esquematizou a difusão de notícia falsa sobre os responsáveis pelo homicídio”. “Fazia parte da estratégia que alguém prestasse falso testemunho sobre a autoria do crime e a notícia falsa chegasse à Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, desviando o curso da investigação em andamento e afastando a linha investigativa que pudesse identificá-lo como mentor intelectual dos crimes de homicídio”. É bom lembrar que Raquel Dodge tentou federalizar a investigação, transferindo-a para a PF, mas não conseguiu. Brazão reassumiu recentemente o cargo de conselheiro do TCE. Ele preso, em 2017, na Operação Quinto do Ouro, um desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro, sob acusação de recebimento de propina de empresários, mas manteve o salário de R$ 35 mil mensais.

Atrás de patrocínio

O artista que tem empresário ou produtora influentes na prefeitura e no governo do estado já garantiu seu cachê gordo para trabalhar no Carnaval. Outros históricos e tradicionais cantores e músicos continuam chupando o dedo. Pelo jeito faltam-lhes intermediários que conheçam a senha de acesso às verbas públicas. Apesar de descendente direto de quem modernizou a festa carnavalesca na Bahia, com a invenção do trio elétrico, os irmãos Macedos só ontem tiveram o patrocínio da Bahiagás confirmado pelo governo do estado. Armandinho teve que chorar muito para garantir o pioneiro trio elétrico de Dodô e Osmar na avenida este ano. O virtuose da guitarra desconhece os meandros obscuros do negócio do entretenimento na Bahia.

Um governador no meio do vendaval

O Rio de Janeiro vem enfrentando uma temporada de chuvas severa, mas no telhado do governador Cláudio Castro o temporal é ainda mais intenso, ameaçando fazer cair a casa toda. Além do mais, a “previsão do tempo”, para ele, indica “raios e trovoadas”. O mais recente capítulo do infortúnio governador é o pedido de demissão do irmão dele. Vinícius Sarciá Rocha era presidente do Conselho de Administração da Age-Rio. No dia 20 de dezembro foi alvo da Operação Sétimo Mandamento, da Polícia Federal, contra fraudes em programas assistenciais. E a demissão acontece pouco mais de mês da operação, que apreendeu na casa de Sarciá, R$ 128 mil e US$ 7,5 mil em espécie. Parte do dinheiro estava em caixa de remédios. Foram apreendidas ainda anotações e planilhas com nomes, valores e porcentagens. 

Um governador no meio do vendaval II

Além do irmão do governador, sofreram buscas Astrid de Souza Brasil Nunes, subsecretária de Integração Sociogovernamental e de Projetos Especiais da Secretaria Estadual de Governo; e Allan Borges Nogueira, diretor de Governança Socioambiental da Cedae. Cláudio Castro não foi alvo de buscas, mas é investigado. A ação foi um desdobramento da Operação Catarata, do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que investigava desde 2020 esquema de corrupção na Fundação Leão XIII, órgão estadual responsável por políticas de assistência social. Apesar das muitas denúncias, um acordo com o ex-presidente Jair Bolsonaro, garantiu paz a Castro depois que ele herdou o cargo do governador afastado, Wilson Witzel. O protagonismo da PF no Rio de Janeiro, desde janeiro de 2023, mudou as regras do jogo.

Atraso na Vacinação Contra Dengue: Emergência de Saúde no Brasil

A distribuição tardia e lenta de vacinas contra a dengue no Brasil coloca em risco a saúde pública, exigindo ação imediata das autoridades. Este atraso amplifica a vulnerabilidade a surtos, mostrando falhas críticas no sistema de saúde. A prioridade deve ser acelerar a entrega de vacinas e promover a conscientização sobre sua importância. É essencial mobilizar recursos e estratégias eficientes para combater essa negligência e proteger a população. A resposta eficaz é urgente para evitar consequências graves.

A PF na Bahia será rígida nos trios e nos camarotes

Durante o carnaval, a Polícia Federal vai atuar rigidamente nos trios elétricos e nos camarotes de luxo. Quer evitar o uso de drogas potentes, já que tem informações que elas chegaram a Salvador. Quem usa é melhor evitar.

Centrão avisa Lula: ou libera R$5 bilhões, ou pauta será travada

Os líderes do Centrão querem que o governo libere os R$5 bilhões de 2023. São três para Câmara dos Deputados e dois para o Senado. O presidente da Câmara, Arthur Lira, já marcou reunião de líderes na segunda-feira a fim de tentar decidir a parada. 

PGR vai manter multa de R$10,3 bilhões do grupo J&F

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, vai anular a decisão do ministro Dias Toffoli, que perdoou um débito de R$10,3 bilhões que o grupo J&F declarou em delação premiada. 

A inércia da capitania dos portos na Baía de Todos os Santos

A recente tragédia de Mata de São João, na Baía de Todos os Santos, foi anunciada. A capitania dos portos tem negligenciado na fiscalização de embarcações e lanchas que circulam nas praias da Baía de Todos os Santos. Para se ter uma ideia, os píeres da encosta da Vitória, muitos estão em situação irregular e oferecem perigo aos usuários. Quando acontecer uma tragédia, a capitania dos portos aí vai adotar providências. 

Mau jornalismo

Com o orçamento cada vez menor, sem condições financeiras de manter correspondentes regionais, os outrora jornalões brasileiros cobrem muito mal os assuntos fora do eixo Rio-São Paulo-Brasília. Em sua edição da última segunda-feira, O Globo deu uma aula de mau jornalismo ao tratar do conflito de terras na Bahia, que resultou na morte da indígena Maria de Fátima Diniz no domingo. Além de errar a localização da fazenda invadida, que fica no município de Itapetinga e não no de Potiraguá, o diário carioca em nenhum momento deu voz aos fazendeiros. Preferiu seguir uma narrativa unilateral, favorável aos invasores. 

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑