Damares irredutível: a memória seletiva da senadora

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) anda fazendo um jogo duríssimo com os “emissários” do advogado Cristiano Zanin Martins, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula ao STF, na vaga do ministro Ricardo Lewandowski, que se aposentou. Acreditando que seria possível conseguir algum apoio entre os evangélicos mais radicais, onde se situa a senadora, alguns “amigos comuns” tentaram pelo menos quebrar o gelo e iniciar um diálogo. Não funcionou. Damares não quer conversar sobre esse assunto nem pelo telefone. E já avisou que vai votar contra Zanin. Apesar da oposição da senadora, tudo indica que Zanin sobreviverá à sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e à votação no plenário. Segundo Damares, o presidente Lula feriu o princípio constitucional da impessoalidade ao indicar seu advogado pessoal. A senadora demonstra ter memória seletiva. Seu chefe indicou André Mendonça porque é “terrivelmente evangélico”. E a comemoração da então primeira-dama, Michelle Bolsonaro, depois da confirmação de Mendonça, recorrendo inclusive a uma língua estranha, deixou bem claro que a impessoalidade nunca esteve em pauta.

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