O rito da institucionalidade cria, uma vez ou outra, esses constrangimentos públicos para o deleite de quem os assiste. Ao receber, em nome da Academia Brasileira de Letras, a Ordem Nacional do Mérito Científico das mãos do presidente Lula, na quarta-feira, o jornalista Merval Pereira não conseguiu esconder o embaraço de ter de sorrir, cumprimentar e abraçar um político sempre tratado com acidez e desdém nas suas colunas do jornal *O Globo* e nos seus comentários na TV. Lula permaneceu imperturbável no seu figurino de chefe de Estado, mas Merval, ainda bem que sem o fardão da Academia, lembrava um peixe fora do aquário.