Feijão, sangue e videotapes

Ao que tudo indica, os baianos já se acostumaram com a indigesta dieta diária a que são acossados a ingerir na hora do almoço, enquanto assistem ao noticiário das emissoras de televisão locais. É um cardápio de horrores em que se mistura sangue, assassinatos, crimes, assaltos, flagrantes de cenas de violência generalizada. A obsessão na busca pela audiência não tem mais limites, e o poço não tem fundo. E a cada “nova” atrocidade que ganha visibilidade, e é apresentada por algum noticiário do meio-dia, eis que o canal concorrente apela para níveis cada vez mais baixos, e o cidadão se vê obrigado a mastigar e engolir o que lhes é jogado no prato do almoço. A situação surreal vai às raias do inimaginável. Profissionais que trabalham nesses programas comentam à boca miúda que se tornou frequente ouvir uma espécie de torcida organizada nos bastidores. A cada avanço de milésimo percentual de audiência auferida pelo Kantar Ibope Media, todo mundo pula, vibra, e dá socos no ar em comemoração. Haja crueldade.

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