Fundação de néscios

Terra do já teve, do já foi. As glórias e avanços baianos pelo jeito ficaram no passado. Quando se pensa em urbanismo, a evidência é clara. A tal reforma da Barra não deixa dúvida. A invenção pecou principalmente pelo objetivo carnavalesco em priorizar o espaço para alguns dias de folia e desprezar os moradores e comerciantes locais, que por muitos anos preservaram a aprazibilidade do bairro, prejudicada por certo prefeito e o exagero de linhas de ônibus a transitar na área a partir de sua gestão nos anos 80. Mais uma intervenção “genial” da prefeitura desaconselha qualquer cidadão a se deslocar de carro para a região nos finais de semana. No pequeno trecho, os congestionamentos causam a perda de mais de uma hora parado no trânsito. Tudo por causa de mais uma infeliz ideia da Fundação Mário Leal Ferreira, órgão municipal responsável pelo urbanismo: estreitar ruas e alargar calçadas em vias de escape, como a Afonso Celso. Um dos idealizadores do Escritório do Plano de Urbanismo da Cidade do Salvador (Epucs), que elaborou o tão bem-sucedido projeto das avenidas de vale há quase 70 anos, o engenheiro Mário Leal Ferreira deve estar se revirando no túmulo com as ações dos néscios que trabalham na fundação que leva seu nome.

Os comentários estão encerrados.

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑