Esqueletos assassinos

Quem viveu em Salvador entre o final da década de 1990 até por volta do ano de 2015, por certo deve lembrar dos belos pontos de ônibus administrados por meio de terceirização pela empresa JCDecaux. Esses mobiliários urbanos apresentavam design contemporâneo, linhas arrojadas, amplos vidros temperados que davam transparência e elegância, e os displays igualmente de vidro onde se afixavam peças publicitárias. Mas, de repente, o contrato com a JCDecaux foi suspenso pela prefeitura, e os outrora vistosos pontos de ônibus começaram a se deteriorar. Sem a manutenção periódica e expostos às intempéries e à sanha dos vândalos, os vidros quebraram ou foram roubados, assentos arrancados, idem os displays de publicidade. Enfim, todo material que pudesse ser removido do equipamento foi retirado. E hoje ainda restam alguns “esqueletos” da JCDecaux espalhados pela cidade, e eles se tornaram verdadeiras armadilhas para os cidadãos, com suas estruturas abandonadas e pontiagudas que se projetam nas calçadas a provocar acidentes, ferimentos, e inclusive fraturas expostas. Como bem assinalou um famoso arquiteto e urbanista: “Quer ver como o poder municipal trata a sua cidade, então observe a aparência dos pontos de ônibus”.

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