A vida como ela é

Com a entrada em cena da violência carioca e as reações de milicianos e traficantes a certo endurecimento policial, a mídia nacional deu uma trégua à crise da segurança pública na Bahia. A redução de menções à situação baiana não quer dizer que a barbárie tenha cessado nas comunidades. O Dr. Eustáquio Praxedes, médico aposentado, do tempo do INPS, não usa celular nem pega Uber. Aos quase 90 anos, morador do Garcia, ainda frequenta o velho centro de Salvador. Faz o deslocamento de casa para a praça da Piedade ou Rua Chile sempre de ônibus. No ponto da Igreja do Rosário, enquanto aguardava a “marinete” para tomar um “maltado” na Cubana, ele assistiu ao desespero de uma senhora que, acompanhada da filha, encontrou uma conhecida e relatava o terror que estava vivendo no bairro em que morava na periferia: “Minha amiga, eu não aguento mais. Se eu pudesse, já tinha me mudado daquele inferno. Toda noite é tiroteio, é gritaria. A gente deita sobre os colchões no chão, com medo de bala perdida”. O Dr. Eustáquio Praxedes não toma conhecimento da tragédia cotidiana baiana pela tevê nem pelas redes sociais. É a vida como ela é…

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