Será que resta dúvida que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tem sido um inimigo (Enemy, em inglês) da inteligência? Se o modelo do antigo vestibular já era decoreba, cheio de macetes decifrados em caros cursinhos, e exigia mais da memória do que do raciocínio, a seleção para o ensino superior hoje é um teste ideológico. A abordagem das questões não tem imparcialidade política. Na avaliação de inglês, um cartum com desenhos de homens brancos num escritório cobra do aluno mais o engajamento no politicamente correto e na diversidade do que o conhecimento da língua estrangeira. Não para por aí. Piora mais ao final, onde na questão 89, há a explícita demonização do agronegócio e do capitalismo, que causam “a ‘pragatização’ dos seres humanos e não humanos, a violência simbólica, a superexposição, as chuvas de veneno e a violência contra a pessoa”. É o que consta num texto a ser interpretado. “E que culpa tem Cabral?”, já indagava Raulzito.