Lima Barreto, um dos grandes de nossa literatura, é o autor do clássico conto “O homem que falava javanês”. É a história de um sujeito desempregado que encontra no anúncio de um jornal a oportunidade de sair do sufoco. Procurava-se um professor de javanês. O desesperado cidadão então corre para a biblioteca pública em busca de um dicionário do idioma da distante ilha de Java, na Oceania. Passa uns dias decorando algumas palavras-chave em javanês e se apresenta ao interessado em alguém que traduzisse a misteriosa carta que herdara. Vale a pena ler o conto, que se fez lembrar por causa do discurso do novo presidente da CNI, que anunciou o “neoindustrialismo”. A nova expressão deixou o pessoal da velha guarda à procura do “homem que falava javanês” para entender o que pode ser isso saindo da boca de alguém que ascendeu ao cargo de liderança à custa do sindicalismo empresarial, sem nenhuma experiência exitosa e exemplar no setor secundário.