Henry Alfred Kissinger (1923-2023) errou muito. Mas quando acertou fez História. Parece fácil para quem foi assessor de Segurança Nacional e Secretário de Estado (chanceler) do país mais poderoso do mundo (mais do que hoje), num período dificílimo; mas não é bem assim. A Guerra Fria embotou muitas mentes brilhantes. Kissinger foi uma delas. Não teve vida fácil com o general-presidente, Ernesto Geisel (1974-1979). Em abril de 1976, os dois se encontraram em Brasília; e Geisel deixou bem clara a insatisfação brasileira com os EUA. Desde o golpe de 1964, os generais presidentes esperavam que o Brasil fosse tratado como aliado preferencial. Nunca aconteceu. Recebeu em troca sobretaxas nas nossas exportações para lá. O Brasil vivia uma crise e esperava que o grande irmão ajudasse. Ficou a ver navios. Kissinger também estava descontente com o Brasil, que foi o primeiro a reconhecer a independência de Angola (novembro de 1975), ex-colônia portuguesa, onde um grupo marxista ganhou o poder, numa guerra civil, na qual os americanos, que estavam do outro lado, apoiando os guerrilheiros de direita, queimaram milhões de dólares em armas, equipamentos e mercenários; e perderam feio. Geisel terminou a conversa recusando um convite para visitar os Estados Unidos, deixando claro que enquanto o país não fosse mais bem tratado a visita não aconteceria e não aconteceu.