Três tigres de papel

É curioso verificar, pela leitura dos editoriais, como se comportaram os três principais diários do país diante da tese aprovada pelo STF de responsabilizar os jornais pela divulgação de declarações falsas de seus entrevistados. A Folha de S. Paulo posicionou-se contrariamente à medida, que vai de encontro “à plena liberdade de informação jornalística” consagrada na Constituição. Para ela, a tese abre brechas para ataques à liberdade de informação. Já O Globo aderiu com entusiasmo e sem quaisquer reservas à decisão do Supremo, que, em sua visão, “consagra de forma clara a plena liberdade de informação e expressão”. O Estado de S. Paulo, vítima da censura instaurada pelas ditaduras do Estado Novo (1937-1945) e militar (1964-1979), acomodou-se numa posição intermediária. Para o centenário matutino da família Mesquita, era melhor que o STF não tivesse fixado tese alguma, pois a decisão judicial poderá dar margem “a interpretações que, no limite, dificultem o trabalho da imprensa”. Preso à síndrome de Poliana, que procura enxergar algo positivo em situações negativas, o Estadão reconhece que a tese do Supremo, apesar dos problemas, “serve para valorizar o jornalismo que respeita os mais elevados padrões éticos e profissionais”.

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