Na antiguidade, o Carnaval era o ritual promovido pela elite para sublimar o instinto selvagem da plebe, uma forma eficiente de controle social, que evitava convulsões contra o status quo. Continua sendo assim, mas a “zelite” baiana agregou ao Reinado de Momo a funcionalidade econômica. Para a patuleia, o cala-boca da venda de cervejas nos isopores debaixo do sol quente. Aos patrícios-parceiros, os caros e sofisticados camarotes de alta rentabilidade, cheios de subsídios. Ainda têm, bancados pelo erário, vultosos cachês para artistas de empresários amigos do rei. A grande inovação da festa nos últimos tempos foi a concessão temporária feita pelo município de área pública para a implantação de um cobiçado camarote, que ocupa o lugar de uma praça por período que vai muito além dos dias do festejo carnavalesco. Demora a instalação e o desmonte. Quem fica no prejuízo são os moradores do bairro de Ondina, em Salvador, sem acesso à área de lazer por quase todo o verão. Bobagem! O butim do Carnaval depois é rateado entre os mesmos de sempre na Quarta-feira de Cinzas.