Já se foi o tempo em que o refrão da música de Caetano Veloso, inspirada nos românticos carnavais do início dos anos 1970, era uma realidade. Atualmente, atrás do trio elétrico, símbolo da folia de Salvador, só vai quem é turista. Estima-se que 70% dos compradores de blocos e camarotes são forasteiros. O custo para a diversão nesses espaços privativos que dominam a festa não é acessível à empobrecida população soteropolitana, cuja renda per capita só tem caído, embora o cofre da prefeitura esteja cada vez mais abarrotado. Aos cidadãos nativos, sobra, para os de baixa renda, a concorrência selvagem da venda de cerveja nos isopores. Para os meeiros, algum bico num camarote para posar de bacana. Já os barões da folia, associados aos poderosos da política, ficam com os lucros do negócio em que se transformou aquela que um dia foi a manifestação popular da alegria baiana. O jovem Caetano que percebeu a novidade há mais de 50 anos hoje é um idoso burguês. Morreu quem ia atrás do trio elétrico…