Os governos baianos, tanto o estadual quanto o da capital, estão gastando demais com o circo e de menos com o pão. O Carnaval de 2024 é uma evidência ululante do desequilíbrio da política do panis et circencis, aplicada desde o Império Romano como meio de domar as massas. O alto cachê pago ao pagodeiro rebelde, que nem é da primeira divisão das estrelas da folia, revelado pelo prefeito Bruno Reis, dá uma ideia da fortuna empregada pelo município e o estado na contratação dos artistas para o Carnaval. Só com o cachê de Igor Kannário (R$ 360 mil), que cuspiu no prato que comeu, dava para o prefeito Bruno Reis proporcionar uma alimentação decente aos ambulantes que tanto reclamaram do tratamento que receberam da prefeitura. Já o governador Jerônimo Rodrigues, se economizasse na festa, poderia investir muito mais no programa Bahia com Fome, onde ele deixou de alocar R$ 200 milhões que estavam previstos no orçamento. Será que economizou no pão por causa do circo carnavalesco?