A cerimônia dos mortos-vivos III 

Mas a estrela, sem sombra de dúvida, foi Jair Bolsonaro. No discurso de quase meia hora, o ex-presidente ensaiou uma defesa com o já conhecido tom vitimista, que ele chamaria de mi mi mi, “Não faltarão pessoas para te perseguir, para tentar te derrotar; vão te acusar de coisas absurdas. Poderia estar muito bem em outro país. Preferi voltar para cá com todos os riscos que ainda corro. Não tenho medo de qualquer julgamento, desde que os juízes sejam isentos”. Há quem veja nessa fala o reconhecimento de que será condenado e preso, o que é mais do que provável. Mas a claque miliciano-evangélica, embora em pequeno número, fez o seu trabalho. Infelizmente, Bolsonaro e seus aliados preferenciais são importantes numa eleição municipal. Milicianos dominam a zona oeste da cidade, uma das mais populosas. Não se faz campanha na região sem o aval deles. E os neopentecostais crescem sem parar, principalmente nas áreas mais pobres e favelas. E Bolsonaro, apesar de tudo, ainda tem influência entre os militares de baixa patente e policiais militares.

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