Tragédia carioca

Boa parte dos cariocas foram acometidos por uma forma extrema de negação da realidade. Há muito, a outrora cidade maravilhosa se deteriorou, chegando a essa altura a um ponto sem volta. Quando questionados, os iludidos dizem que a cidade é linda e que a beleza natural compensa todas as suas mazelas. O Rio vive um permanente clima de guerra, com números de guerra. As operações da PM nas favelas envolvem centenas de policiais, armamento pesado, helicópteros, blindados, etc. Traficantes e milicianos exibem igualmente armas poderosas, de última geração. Por isso, está na hora das autoridades responderem a algumas perguntas cruciais. Como esse impressionante arsenal chega às favelas? Alguém imagina o chefe do tráfico da Maré negociando diretamente com um fornecedor estrangeiro? Como atravessam as fronteiras? Como são distribuídas? Como chegam ao ponto final? Por que as operações policiais têm resultados tão pífios? Quais são os métodos de inteligência (ou desinteligência) utilizados pela polícia, que se mostram tão ineficazes. E, finalmente, até que ponto, os três poderes do estado estão aliados com o crime organizado? O pouco que foi revelado sobre a deleção de Ronnie Lessa, assassino confesso da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, dá uma pequena pala do tamanho do problema. O Rio de Janeiro, tragicamente, vive em estado terminal, respirando por aparelhos.

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