Medo sepulta vida noturna II

“Houve uma época nesta cidade da Bahia em que a vida noturna era pulsante, quer no centro histórico; quer nos bairros para dançar e farrear; vadiar e acasalar; flanar sem medo de ser feliz. […] Pensar sobre o tempo e todo esse retrocesso […] é um passatempo desagradável já que, nesse alvorecer do século XXI, vivemos enjaulados. Há grades em nossas casas por todos os lados nas residências dos ricos, dos pobres, dos remediados, […] ninguém escapa dessa vigilância permanente acrescida de cães e câmeras. […] Esse é o ambiente na Cidade da Bahia que já foi de paz e amor, do pombo Correio, do caminhar sem lenço nem documento nas dunas do Abaeté e nas areias das praias. Dorival Caymmi teria sido um profeta desse novo tempo? […] Hoje, é-nos proibido dormir nos braços morenos da lua de Itapuã, das dunas do Abaeté, do luar da praia de Tubarão, da colina do Monte Serrat e até do largo onde fica a Basílica do Senhor do Bonfim. […] Fui expulso (eu e todos os outros estranhos a esses sítios) desses bairros porque não nos enquadramos dentro do código estabelecido pela bandidagem […]. Vivemos numa cidade pela metade, do raiar ao pôr do sol.” – Tasso Franco

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