RIO: hors concours da violência

A Bahia está carimbada pela mídia nacional como a campeã da violência no Brasil. Bem que não são nada alvissareiros os indicadores baianos. Conseguiu superar estados mais populosos, como São Paulo e Rio de Janeiro, em números absolutos de homicídios. Mas a ação cruel, fria e despropositada da qual a Cidade Maravilhosa foi palco na última quarta-feira só reitera a sua condição de hors concours no desonroso campeonato nacional da violência. Quatro médicos descontraidamente se confraternizavam num quiosque na praia da Barra da Tijuca, no Rio, depois de um dia de atividades em um congresso de ortopedia, quando se tornaram alvo de dezenas de disparos. Três morreram e um quarto se encontra hospitalizado. Uma indiscutível chacina de inocentes! Entre as vítimas fatais, o médico baiano Perseu Ribeiro Almeida, de 33 anos. Ele atuava na cidade baiana de Ipiaú. É mais um lamentável episódio que ratifica o fato: não dá mais para jogar debaixo do tapete a grave crise da segurança pública no país! Abra os olhos, Lula!

Execução política?

Outro médico que estava no quiosque acompanhando Perseu foi o irmão da deputada federal pelo PSOL, Sâmia Bomfim. A morte do médico ortopedista Diego Ralf Bomfim está sendo tratada pela mídia como uma possível execução em retaliação à atuação da deputada na Câmara Federal em prol de pautas progressistas. Nas imagens, os bandidos chegam em um carro, correm em direção ao grupo, atiram e depois fogem sem levar nada. O ministro da Defesa, Flávio Dino, disse em suas redes que o caso será investigado. É cedo para afirmar qualquer coisa, mas o caso Marielle Franco certamente nos faz pensar. 

Flávio Dino responsabiliza deputados federais

O ministro da Justiça, Flávio Dino, responsabiliza, pelo vil massacre dos médicos, dois deputados federais do Rio de Janeiro que ele não revelou os nomes, mas que são ligados às milícias. Ontem, aliás, o ministro da Justiça foi à Bahia a fim de respaldar o governo do PT, já que Lula está muito preocupado com as eleições municipais e estadual, achando que se não houver redução da criminalidade na Bahia, como não tem havido, o PT deve sofrer muito. Dino esteve reunido na Bahia com o governador, secretário da Segurança Pública e outros segmentos e, infelizmente, a criminalidade não caiu na boa terra.

Socorro para aviões e hotéis no Brasil

Uma diária no hotel Ibis aeroporto em Brasília que custava R$250 subiu para R$4,5 mil esta semana. No B Hotel, apontado na capital da República como o melhor, uma diária custa apenas R$8 mil, mais caro do que a diária na França na abertura da Olimpíada. Um trecho Rio-Brasília-Rio está custando R$7 mil. Igual quantia para São Paulo-Brasília-São Paulo. Só senadores, deputados federais e lobistas aguentam e suportam este verdadeiro roubo. 

Trinta e cinco anos da constituição do Brasil é comemorado em Brasília

No Congresso Nacional, uma condenação a ditadura militar, com as presenças do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, representando o presidente Lula; o presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco; o presidente da Câmara, o deputado federal Arthur Lira; o presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso; o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moares, que, aliás, quando citado, foi aplaudido pelos presentes, e embaixadores de centenas de países. Foi o libelo contra a ditadura militar. O curioso é que não tinha nenhum ex-militar ou militar eleito pelo bolsonarismo. O PL também, partido do ex-presidente, não se fez presente, mas todos os oradores foram contundentes afirmando que a ditadura militar prendeu, torturou, matou e fez outras misérias com milhares de brasileiros. 

No STF também a festa cívica foi extraordinária

À tarde foi a vez do Supremo Tribunal Federal comemorar os 35 anos da Constituição do Brasil. As autoridades presidenciais no Congresso estavam presentes também no STF. Foi uma festa extraordinária, e o curioso é que em nenhuma delas não se via bolsonarista nem integrantes do PL. Atestado eloquente de que eles aplaudem as torturas e mortes provocadas pela ditadura militar.

Rio de Janeiro não terá Força Nacional

O ministro da Justiça afirmou que não tem condições de mandar a Força Nacional para o Rio de Janeiro. Aliás, o bárbaro assassinato de três médicos causou uma revolução na ex-capital da República. Urgência imediata só com a presença da Polícia Federal. 

Violência na Bahia I

Em uma cena do aclamado filme “Cidade de Deus”, uma personagem faz referência a um certo romantismo do início da criminalidade naquela região do Rio de Janeiro, que se transforma em tragédia com a inclemente violência do tráfico de drogas, desenvolvida ao longo da trama cinematográfica. A impressão pode ser a mesma quando se vê em retrospectiva a chegada do narcotráfico e a instalação do crime organizado na Bahia. 

Violência na Bahia II

Nos anos 1970/80, houve a fase elitista do consumo de cocaína em Salvador. Nesta época, se notabilizou o traficante Zequinha do Pó. Ele atendia seus clientes num sofisticado pub no bairro nobre de Ondina. Os crimes que assustavam a sociedade baiana eram os praticados pelas gangues de grã-finos, jovens bem-nascidos que enveredavam por ações ilícitas para bancar o caro vício da cocaína, resultando em algumas mortes e estupros.

Violência na Bahia III

A delinquência dos garotos drogados da classe média e alta foi freada pela polícia, quando o filho de um deputado e sua namorada foram vítimas. Zequinha do Pó saiu de cena também, preso. O mercado ilegal de drogas se expandira e não podia ficar mais tanto às claras. Foi para a periferia e um atilado taxista e apontador do jogo de bicho passou a comandá-lo.

Violência na Bahia IV

Nos anos 1990, todo o mundo de Salvador sabia o nome e o local onde residia o chefão do tráfico e estava a matriz das “bocas” da cidade. Raimundão ou Ravengar morava e tinha sua fortaleza no Alto do Águia, no Retiro. Era o fornecedor de muitos usuários importantes: artistas, políticos, empresários, etc. Era uma espécie de coronel das drogas ilícitas na capital baiana. Tinha o controle do que entrava na cidade. Os fornecedores nacionais e internacionais de cocaína, a droga da época, tratavam diretamente e só com ele.

Violência na Bahia V 

No tempo de Ravengar — ele ganhou essa alcunha por causa do cabelo desgrenhado que lembrava o personagem da novela “Que Rei Sou Eu”, da Rede Globo, interpretado pelo ator Antônio Abujamra —, o tráfico de drogas era violento, mas não nas proporções atuais. O seu comando centralizador impedia a pulverização do tráfico que resultou nas facções sob a liderança de jovens inexperientes e sem quaisquer escrúpulos, retratada no filme “Cidade de Deus”, pelo personagem Zé Pequeno. Ravengar dava cabo em quem fazia fora do penico.

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