Com a grave crise no setor automobilístico, as relações entre os fornecedores de autopeças e as grandes montadoras, que já não eram fáceis, têm ficado ainda pior. Em alguns casos, que viraram processos em tramitação na justiça, a resilição unilateral de contratos de fornecimento por parte de montadoras tem exposto como funcionou por décadas as comissões por fora, ou “CPFs”, que os representantes das montadoras exigiam dos fornecedores. Um deles, por exemplo, relatou que foi obrigado a construir e doar algumas casas de praia em um condomínio de luxo em Bertioga em troca dos contratos de fornecimento para uma montadora alemã. Em outro processo, que também envolve a mesma montadora, os pagamentos aos diretores eram feitos em espécie e operacionalizados através de um posto de gasolina de São Bernardo, em um esquema muito parecido com a Lava Jato. Pelo jeito, não é só no setor público que as “CPFs” fazem parte das transações.
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