Fera na jaula

Eduardo Cunha é, de longe, o preso mais irritado de Curitiba. Lê e relê o calhamaço do processo contra ele em busca de brechas, álibis e atenuantes, impetra uma sucessão de pedidos de habeas-corpus depois do outro (todos negados), instrui seus advogados a negociarem com o juiz Sérgio Moro o inevitável acordo de delação premiada… e nada. 

Acostumado a chantagear e ameaçar testemunhas enquanto estava em liberdade,  o ex-todo-poderoso presidente da Câmara dos Deputados enfrenta agora uma situação inédita – a de encarar um adversário tão frio e impassível quanto ele, mas com duas vantagens poderosas: a de não dever nada a ninguém e a de ter levantado, com o apoio da Força-Tarefa da Polícia Federal, o máximo de informações comprometedoras e condenatórios contra ele. 

Acuado em sua jaula, informado de que sua mulher e sua filha também podem ir para trás das grades a qualquer momento, Eduardo Cunha recebeu, recentemente, uma notícia estressante: a de que, depois de tantas ameaças e chantagens e de sucessivas tentativas escusas de deter a Lava-Jato, é considerado pelo juiz Sérgio Moro um preso de alta periculosidade, sem direito, portanto, aos benefícios da delação premiada.   

As perspectivas para ele hoje são as seguintes: 16 anos de cadeia, em regime fechado.

Quem vai piscar primeiro? Eduardo Cunha ou Sérgio Moro?

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