Onde estão as luzes da caserna? 

Diante do espetáculo patético da cúpula militar corroborando um discurso golpista, diante de embaixadores acreditados no país; de uma figura visivelmente descontrolada, além de despreparada; faz sentido lembrar de um tempo em que as Forças Armadas e o Exército, em particular, podiam se gabar de ter gente culta. E até um teórico marxista, com 56 livros publicados (alguém pode imaginar tal fato nos dias de hoje?), Nelson Werneck Sodré, que chegou a general-de-brigada, e foi afastado em 1964. Os golpistas de então passaram o rodo em esquerdistas, nacionalistas mais à esquerda, legalistas e mesmo nos chamados profissionais, que se preocupavam apenas com a carreira e a instituição, mas achavam que as Forças Armadas tinham extrapolado suas funções. Mais de seis mil e quinhentos militares, grande parte integrante da nata das corporações, foi para casa mais cedo. Os que deram sorte. Porque foram muitos os expulsos, presos, exilados e declarados “traidores da pátria”. Alguns, como o brigadeiro Rui Moreira Lima, condecorados por bravura na II Guerra Mundial. A formação nos colégios e escolas militares foi ideologizada à direita, endeusando os princípios da “Revolução de 1964”; o que nos fez chegar às tristes figuras que sustentam as diatribes daquela que deveria ser de fato um comandante em chefe. Triste de ver e de ouvir. Quem não acreditar que já houve vida inteligente na caserna, o que é compreensível nos dias de hoje; pode assistir “Militares da Democracia: os militares que disseram não”, do cineasta Silvio Tendler, disponível no YouTube. Certamente vão se surpreender.

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