O baiano e abolicionista Luiz Gama (1830-1882), figura singular na história brasileira, nascido em Salvador, na Rua do Bângala, no Bairro de Nazaré, era filho de uma escrava liberta, Luísa Mahin, com um descendente de portugueses. Quando ele tinha 10 anos, seu próprio pai o vendeu como escravo. Foi levado para a fazenda de um comerciante em Limeira, no interior de São Paulo, onde permaneceu cativo até os 17 anos, quando provou que havia nascido livre. O ex-escravizado aprendeu a ler e a escrever ainda aos 17 anos, em 1850, tentou ingressar no curso de Direito do Largo de São Francisco, por ser negro, não foi admitido pela instituição, mas acompanhou as aulas como ouvinte e lendo na biblioteca. Até hoje, é conhecido como um dos principais patronos da abolição da escravidão por sua atuação como advogado, mesmo sem ser diplomado. Estima-se que Gama tenha libertado mais de 500 pessoas em sua carreira, sem nunca cobrar honorários. Pois bem, é um exercício interessante imaginar o que o baiano Luiz Gama pensaria nos dias de hoje do seu conterrâneo branco, o DIMINUTO CANDIDATO ACM NETO, que se autodeclarou pardo, e, após a sociedade ter repelido completamente o episódio, está a se maquiar para escurecer a pele. De fato, não só o Luiz Gama deve estar se revirando no túmulo com este episódio, como a sociedade brasileira está a desaprovar a conduta de ACM NETO, tendo chamado a atenção não só sua queda estrondosa nas pesquisas eleitorais como um recente episódio em que uma jornalista de uma emissora de televisão, ao comentar o caso, caiu nas gargalhadas. As urnas estão aí para comprovar a desaprovação da população com a conduta de ACM NETO que fez tal registro apenas para se beneficiar de verba partidária eleitoral de cotas destinada aos afrodescendentes. O que ACM NETO não viu e ignora é que sua conduta o revela, na moldura normatizada, como racista, e detrimentosa aos valorosos negros da nossa história, dos quais Luiz Gama é apenas um precursor dos direitos humanos.