Que país é este, Seu Jorge?

Seu Jorge, compositor, cantor e ator. Hoje, um dos mais internacionais dos nossos artistas, sai do palco, com sua banda; depois de um show considerado impecável, no elitista e “diferenciado” Clube Náutico União, em Porto Alegre. O artista eleva o braço direito e faz o sinal que seria um “L”, símbolo usado por apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva e sai. É o suficiente para quebrar o encanto. Nos bastidores, Seu Jorge, que se preparava para voltar ao palco para o bis, ouve os xingamentos: macaco, vagabundo, além da palavra mito. Ele volta, sozinho, e se despede, avaliando que não há condições de continuar. Analisando depois o incidente, lembra que o desconforto de público teve início quando chamou um jovem músico negro, de apenas 15, e expôs rapidamente sua posição contra a redução da maioridade penal. Ainda abalado pelo acontecido, seu Jorge disse, conciliador, “não reconheci a cidade que aprendi a amar e respeitar. Na verdade, o que eu presenciei foi muito ódio gratuito e muita grosseria racista”.

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