A banalidade do mal

Eles sempre existiram, enrustidos. Mas faltava o elemento catalisador. A herança de 21 anos de uma ditadura que torturou, matou, fez desaparecer e terminou com um monumental fracasso econômico inibia atitudes mais agressivas. Mas nas sombras se reproduziam. Os primeiros sinais vieram de seitas neopentecostais. Centenas de casas de cultos de matriz africana depredadas, incendiadas sem que nenhum dos líderes religiosos alertasse para o crime que se cometia. O reacionarismo, o negacionismo e o fascismo se avivaram no mundo inteiro, é verdade, mas aqui, ganharam contornos assustadores, guiados por um ser medíocre e perverso, cevado no Baixo Clero do Congresso; incapaz até de operar com a norma culta da língua. O que dá bem uma ideia do que se transformou o ex-país do futuro. Homens e mulheres de bem exigem que escolas retirem dos currículos livros tradicionalmente usados por nossas crianças, transformados agora, por mentes doentias, em manifestos comunistas. Bispos precisam explicar porque usam vestes vermelhas e padres são agredidos dentro de suas igrejas porque não concordam que sejam transformadas em palanque político. A boa notícia é que vozes ainda minoritárias, mas poderosas, começam a se insurgir no setor mais fundamentalista do novo terror, os evangélicos. Que o verdadeiro Cristo tenha piedade de nós.

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