Se deixar o bom mocismo de lado e atacar com o farto material que tem nas mãos, Lula pode decidir o destino do seu opositor no último debate, às vésperas do segundo turno. A começar listando as declarações racistas que o atual presidente distribuiu sem medo ou pudor. Disse que um quilombola tinha arrobas de peso, tratando-o como um animal; e que o quilombola, de tão preguiçoso, nem mesmo conseguiria procriar. Encheu a boca para dizer que um filho seu jamais casaria com uma mulher negra, por ter sido bem-educado. Sobrou também para as mulheres que devem ganhar menos porque engravidam. E todos lembram da frase definitiva atirada contra a deputada Maria do Rosário (PT-RS) “não te estupro porque você merece”. Que seria completada pelo mais recente “pintou um clima”, ao se referir a meninas venezuelanas que se arrumavam para ir ao culto. Com relação aos gays, definiu a questão como “falta de porrada”. É difícil imaginar que negros, mulheres e gays votem em tal personagem. Mas eles existem, provavelmente tomados por um espírito suicida. Mas Lula não precisa de muito, uma linha do tempo, como brilhantemente a Globo News exibiu, quando o presidente tentou se desvencilhar de um dos seus aliados mais fiéis, é suficiente. A equipe de Lula acha que no último debate da Globo esta semana, ele deve revelar tudo.