Tiro de misericórdia

Os 50 tiros (e granadas???) desferidos pelo ex-deputado Roberto Jefferson contra policiais federais atingiram o coração da campanha de reeleição. O QG colapsou e dividiu-se, tornando ainda mais caótica uma semana ruim. Numa tacada, o presidente desmoralizou a PF, onde tem apoiadores mais ou menos explícitos, e rebaixou o ministro da Justiça à condição de advogado de porta de cadeia. Quem presta atenção aos movimentos do presidente e de Roberto Jefferson pode estar estarrecido, mas não surpreso. Alguns comentaristas aventaram a hipótese de que Roberto Jefferson queria ser morto pela PF e transformar-se em mártir. Puro delírio. Oportunistas não morrem por nenhum tipo de causa. Bolsonaro, por sua vez, após publicar que Jefferson era vítima de processos sem base real; encerrou os comentários sobre o caso chamando-o de bandido e mentindo, como de costume, ao dizer ter determinado ao constrangido ministro da Justiça a prisão do aliado. Abandonou o ex-deputado como já fez com muitos de seus comparsas. É bom que se cuide porque os dois filhos do agora preso já lançaram ameaças. Quem lembra do “Mensalão” sabe do poder de fogo de Jefferson. A essa altura, aqueles indecisos verdadeiros, poucos na realidade, pularam do barco, restando apenas a raiz desse movimento perverso, doentio, raivoso. Movimento do qual Roberto Jefferson é um produto. Aliás, ele já merecia a pecha de marginal antes de sua aliança com Bolsonaro. Sem escrúpulos e sem mandato, viu na extrema-direita sua chance de um retorno triunfal, como outros bolsonaristas de ocasião. Talvez tenha exagerado na dose ou compreendido de forma enviesada as instruções de sua nova liderança, ao planejar uma última ação desesperada em busca de uma tábua de salvação no embate, já perdido, com a Justiça.

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