Passou do ponto

A revoada de agentes dos três Poderes do Estado brasileiro para discutirem temas nacionais em cidades do exterior, como Nova York, Londres e Lisboa, já ultrapassou o limite do razoável. Ninguém ouve falar de membros do governo, legislativo ou judiciário dos Estados Unidos, Grã-Bretanha ou mesmo Portugal irem dissertar publicamente sobre assuntos internos dos seus países em qualquer cidade do estrangeiro. Esses eventos que se tornaram rotineiros na agenda do poder são, na verdade, exibições do mais puro provincianismo misturado com lobby político. O mais grave é saber que os convites a autoridades brasileiras partem de organizações empresariais ou faculdades privadas ligadas a integrantes do poder público, o que pode muito bem configurar conflitos de interesses. Sempre acompanhados de hospedagem em hotéis de luxo e coquetéis, almoços e jantares em restaurantes com estrela Michelin, os convites terminam por onerar o Estado brasileiro, a quem cabe pagar pelas diárias dos seus servidores em temporadas de recreio mais do que duvidosas.

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