No afã de combater fantasmas do extremismo de direita, que enxergam em todo lugar, colunistas da imprensa ligados à esquerda terminam por dar um tiro no próprio pé. Foi o que fez Ruy Castro, na Folha de S. Paulo, ao insurgir-se contra o pré-candidato à presidência dos Estados Unidos, Robert Kennedy Jr., do Partido Democrata, um conhecido militante antivacinas. O jornalista foi buscar nos seus lendários alfarrábios a informação de que Bob, o pai de Kennedy Jr., advogou nos anos 1950 para o senador Joe McCarthy, o líder da famigerada campanha de caça aos comunistas, que tantos males causou à sociedade americana. Se o critério de julgamento de Ruy Castro fosse estendido aos ministros do STF, o país estaria diante de uma situação disruptiva, que em nada ajudaria a causa da esquerda. Como se sabe, um dos integrantes da mais alta Corte de Justiça já defendeu nos tribunais um terrorista internacional, condenado em seu próprio país, e outro foi advogado de um partido político que, de acordo com as apurações da Lava Jato, se beneficiou largamente de dinheiro público desviado de estatais nos governos petistas.