Zema vira cabo eleitoral de Lula

A discrição sempre foi uma característica mineira. “Como diz o mineiro, conversa de mais de dois é comício”, explicita bem isso o escritor Fernando Sabino na crônica “Deixa o Alfredo falar”. O cartunista Ziraldo, então, não perdeu a piada com o recato mineiro ao criar um personagem que fez muito sucesso na revista Playboy: “O Mineirinho Come-quieto”. Mas o governador Romeu Zema deu com a língua nos dentes e fugiu ao figurino do tradicional político mineiro, bem comedido e preciso nas palavras, que o diga o saudoso Tancredo Neves. Na sua longa entrevista ao Estadão, ele incorreu no mesmo erro que criticou Bolsonaro, falhou na comunicação e falou demais. A sua proposta da frente Sul-Sudeste soou divisionista, fazendo o Barão do Rio Branco, que tanto se esforçou diplomaticamente pela unidade brasileira, se remexer no túmulo. O presidente Lula ganhou um cabo eleitoral no campo adversário para sua reeleição com antecedência de mais de três anos do pleito.

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