Carnaval em Bairros Residenciais de Salvador: uma festa que viola o direito de moradia – I

É hora de refletirmos profundamente sobre o modelo de celebração do carnaval em bairros predominantemente residenciais de Salvador, como a Barra, Campo Grande e Vitória. As recentes reivindicações de moradores da Barra ressaltam uma problemática antiga, mas que a cada ano ganha contornos mais graves. A Barra, bairro historicamente reconhecido de Salvador, tem visto sua tranquilidade e ordem assoladas anualmente por uma festa que extrapola limites. Com uma população majoritariamente idosa, o local se transforma durante o período carnavalesco, dando lugar ao caos provocado pela instalação de camarotes, bloqueios de trânsito, poluição sonora e, como ressalta uma moradora, a “sensação de isolamento e invasão”. Este momento de folia, que deveria ser marcado por alegria e confraternização, tem se convertido em uma verdadeira dor de cabeça para os moradores locais, que perdem o direito básico de ir e vir, ficando à mercê da desorganização e da insegurança. Para muitos, a única alternativa viável é abandonar temporariamente suas residências, assumindo custos adicionais e correndo o risco de invasões e danos ao seu lar. A luta não é contra a celebração do carnaval, mas sim contra a forma desestruturada como vem sendo realizada nos últimos anos. É inconcebível que uma região com 100 mil residentes receba um afluxo diário extra de 300 mil pessoas sem as devidas adaptações e planejamento. 

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