O Brasil de Lula se parece cada vez mais com a Angola dirigida há quase meio século pelo MPLA, que é uma espécie de partido-estado com tentáculos em todos os setores do país. Só assim se consegue entender a nomeação da nova esposa do líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues, para um cargo comissionado no gabinete da ministra Carmen Lúcia, do STF. Pode até ser legal, mas do ponto de vista político parece mais um caso de flagrante nepotismo cruzado entre os poderes Legislativo e Judiciário. “O cabrito come onde está amarrado”, costumam dizer os angolanos acerca de situações de promiscuidade política como esta, tão comuns naquele país. É o “cabritismo” político à moda angolana avançando sobre o Estado brasileiro.