Hipocrisia e oportunismo II

Trágica glória póstuma para Jayme Fygura. Happy end para os figurões do mercado de arte baiano. Sempre espertos, nos últimos tempos, perceberam o definhar da saúde do artista marginal que vivia, entre seus trabalhos, em condições bem precárias na cafua de um sobrado do Pelourinho. Os abutres das artes começaram a comprar suas obras a preço de banana. Nenhum deles se lembrou de pagar um plano de saúde para o alquebrado artista, que morreria numa UPA. Que nada! A ordem agora é lucrar o máximo em cima da produção artística de Jayme Fygura, bancando e propagando pelas mídias as narrativas sobre o “grande artista negro” neste momento tão valorizado da cultura afro-brasileira. Ao contrário de Carlinhos Brown e sua divertida “arte” de remexer o quadril, Jayme Fygura produziu uma arte mais indigesta ao establishment. Em vida, não poderia ter outro destino…

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