As favelas do Rio de Janeiro não são contra a polícia

Os militares durante a ditadura (1964-1985) inventaram o inimigo interno, os comunistas, perseguidos até hoje. As polícias militares, assumidas pelo Exército a partir de 1964, seguindo a mesma cartilha, inventaram a guerra às favelas. Uma guerra de verdade que já matou milhares de pessoas, a maioria jovens pretos e pobres. Nas 16 favelas do Conjunto da Maré vivem mais de 140 mil pessoas. Cerca de 1% a 2% estão ligados ao roubo de cargas e ao tráfico de drogas. Mas as polícias quando fazem grandes operações lá, por até três dias, imobilizam a comunidade e tratam todos como se fossem bandidos. Postos de Saúde fecham, as aulas nas dezenas de escolas são suspensas, o comércio cerra as portas, trabalhadores perdem o dia de trabalho e inocentes são feridos por balas perdidas. As crianças são as mais afetadas e muitas desenvolvem traumas típicos de situações de guerra. Os moradores das favelas não apoiam nem protegem os bandidos, mas exigem que as polícias façam ações seletivas, que prendam os reais criminosos e preserve a população. Em geral, nessas grandes operações apreendem-se algumas armas, drogas e são presos meliantes sem importância, “pés de chinelo do crime”, e os chefões frequentemente conseguem escapar. Por que será?

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