“Há uma expectativa silenciosa de que a democracia nos ofereça, de tempos em tempos, um porto seguro: um líder que nos represente plenamente, um partido no qual possamos depositar nossa confiança sem reservas, uma ideologia que resolva nossos dilemas morais. Mas a experiência insiste em contrariar esse desejo. (…) Meu voto não é repouso. É movimento. (…) Talvez seja essa a beleza, e também a fragilidade, da democracia. Ela não é uma obra concluída. É uma construção permanentemente inacabada. Como lembrava Claude Lefort, a democracia permanece aberta porque nenhum grupo, nenhuma pessoa e nenhuma verdade pode ocupar definitivamente o lugar do poder. (…) Talvez essa seja, afinal, a verdadeira tarefa do cidadão. Não encontrar heróis. Nem construir inimigos absolutos. Mas impedir que sua consciência seja terceirizada.” (A Política como Ética do Caminhar – Alayde Avelar Freire Sant’Anna)