Política e negócios I

Se tem um empresário que soube rentabilizar a sua experiência na política, ele se chama João Gualberto. Como prefeito de Mata de São João, com a caneta na mão, ele ganhou a fama de “Grilão” e diversificou os negócios, entrando agressivamente no ramo imobiliário em Praia do Forte. Os borbulhantes resultados lucrativos atraíram sócios e as investidas estão indo além do balneário do Litoral Norte baiano, chegando à capital, extremo sul do estado e além-fronteiras.

Política e negócios II

O antigo negócio de supermercados do Grilão João Gualberto também se beneficiou de seus relacionamentos políticos. Em todo canto surge uma nova loja do Hiperideal em Salvador. Principalmente em áreas verdes municipais que foram desafetadas pela prefeitura para serem vendidas a preço de banana ao amigo empresário-político. Foi assim, no Itaigara, com um terreno vizinho ao Boulevard 161. E não está sendo diferente no Cidade Jardim, onde o que economizou na aquisição da área verde desafetada, investiu na raspagem do morro e na derrubada de mais árvores para ampliar o espaço de seu novo supermercado.

Política e negócios III

A construção no Cidade Jardim do novo empreendimento do Grilão João Gualberto está infernizando a vida dos moradores da região. Como se já não bastassem as obras do BRT gerando poeirão, lamaçal, alagamentos, congestionamento e poluição sonora, a edificação do novo Hiperideal só tem agravado todos esses dissabores. Sem nunca ser consultada pela prefeitura, a comunidade do Cidade Jardim assiste às intervenções municipais voltadas apenas aos interesses comerciais de Grilão. Um exemplo é a transformação de um trecho da via marginal que dá acesso ao bairro, que sempre foi em sentido único, em mão e contramão para não dificultar as compras dos moradores, quando o supermercado for inaugurado. De outra forma, na volta para casa, de carro, eles teriam que fazer um desestimulante retorno na Avenida Juracy Magalhães Jr. Mas a pergunta que não quer calar é: “Quem está pagando a passarela do BRT que deveria desembocar na entrada do Cidade Jardim, mas ficará bem mais próxima do novo Hiperideal, do Grilão?”.

Lobby multi milionário

A abertura de convênios de cartão de benefício consignado tem rendido uma verdadeira fortuna para políticos e empresários do ramo das artes. Em alguns estados, como o Distrito Federal, o lobby para convencer o governo a autorizar o cartão já movimentou milhões de reais em agrados.

Lobby muito milionário II

A disputa pelo cartão de benefício consignado dos servidores do Distrito Federal, um dos estados com um dos maiores salários do país, tem deixado o governador Ibaneis Rocha em uma encruzilhada. No páreo para operar o cartão no período de teste do convênio, o mais rentável, estão o BRB, banco controlado pelo GDF, o Banco Master e uma Fintech que já opera em vários estados. Contratada pelo Master, a ex-primeira dama Flávia Arruda tem trabalhado duro para entregar o que prometeu. Só não esperava ter como adversário a alta cúpula do MDB, partido que viabilizou a permanência de Ibaneis no cargo junto à Suprema Corte no fatídico 8 de janeiro de 2023.

O cala boca do ministro das Relações Exteriores

Dizia o autodenominado “reacionário”, o genial Nelson Rodrigues, que o brasileiro padece (a afirmação, infelizmente, ainda é válida) do “complexo de vira-lata”, ou seja, se sente inferior, incapaz de enfrentar grandes questões ou mesmo o poder estrangeiro. Goste-se ou não do presidente Lula, é forçoso reconhecer que ele venceu esse complexo. Ou o nosso ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, não teria divulgado uma nota tão dura em resposta às declarações, no mínimo inadequadas, do seu correspondente israelense, Israel Katz. Lula pode até ter tocado num ponto nevrálgico, mas não mentiu nem exagerou. O que acontece na Palestina é um massacre, haja vista o número de mortos civis, cerca de 30 mil; na maioria mulheres e crianças. Sem contar, o muro israelense, o controle do território, as prisões ilegais, as ocupações e assentamentos. Lula tem como conselheiro de Relações Exteriores, um diplomata reconhecido pelo seu preparo, experiência e equilíbrio, Celso Amorim. Sendo assim, Muro Vieira fez o que lhe cabia ao afirmar, em nota, que as “mentiras” do chanceler Israel Katz são “inaceitáveis”.

O cala boca do ministro das Relações Exteriores II

A Diplomacia tem suas regras, e o governo de Israel e seu ministro das Relações Exteriores quebraram todas com suas declarações recentes, inclusive ao declarar o Lula persona non grata. Diz Vieira na nota, “As manifestações do titular da chancelaria do governo Netanyahu, de ontem e de hoje, são inaceitáveis na forma, e mentirosas no conteúdo. Uma Chancelaria dirigir-se dessa forma a um Chefe de Estado, de um país amigo, o presidente Lula, é algo insólito e revoltante. Uma Chancelaria recorrer sistematicamente à distorção de declarações e a mentiras é ofensivo e grave. É uma vergonhosa página da história da diplomacia de Israel, com recurso a linguagem chula e irresponsável”. 

Exceção à regra

Nem sempre filho de peixe, peixinho é. O empresário baiano Alexandre da Cunha Guedes, que, se vivo estivesse, estaria completando 100 anos em 2024, não legou o espírito empreendedor aos herdeiros, que parecem seguir a sina de “pai rico, filho nobre e neto pobre”. Banqueiro, fazendeiro e comerciante, Cunha Guedes tinha uma atuação empresarial diversificada. Deixou aos filhos um lauto patrimônio, a exemplo da magnífica mansão da Vitória e o imenso terreno da Graça, onde não souberam ainda dar um destino rentável. Na mansão da Vitória, funciona um cerimonial e um café privê. As lojas da concessionária Toyota enfrentam forte concorrência. Não dá pra dormir de touca. Acorda, pessoal! Encarnem o espírito empreendedor do patriarca!

Uma seleção na defensiva 

A esperada condenação do jogador de futebol Daniel Alves a quatro anos e meio de prisão, por estupro, na Espanha, lança uma mancha difícil de limpar sobre os futebolistas brasileiros. Isso porque, outro jogador brasileiro de alto nível, Robinho, também foi condenado por estupro na Itália. E só não foi preso porque se refugiou no Brasil. A Justiça italiana ainda faz gestões junto ao governo brasileiro para que o atleta cumpra a pena. Neymar, considerado o nosso principal jogador, também se envolveu num caso parecido tempos atrás; mas teve melhor sorte que os dois compatriotas. Depois de uma investigação policial, a suposta vítima foi indiciada por denunciação caluniosa e fraude processual. Aliás, foi Neymar que cedeu 800 mil reais a Daniel Alves; dinheiro que foi depositado na Justiça espanhola, em favor da vítima; e serviu para atenuar a pena. A Promotoria pediu nove anos de prisão. E os advogados da vítima, 12 anos.

Com carimbo de estuprador, futebol nunca mais para Daniel Alves

Estuprador, pagando 150 mil euros de multa à vítima, condenado a 4 anos e 6 meses de prisão em regime fechado e 5 anos em condicional, Daniel Alves dá adeus ao futebol. 

Neymar pagou a multa

Foi o “amigo” Neymar que deu a Daniel os 150 mil euros que ele pagou à vítima. Um péssimo exemplo, já que tanto Daniel quanto Neymar não sabem ou fingem que a Espanha não é o Brasil. Que a justiça espanhola funciona. Daniel já cumpriu um ano e dois meses e ficará na Espanha mais alguns anos porque terá que, depois que cumprir os três anos que faltam, cumprir a condicional de cinco anos e terá que se apresentar à justiça espanhola de mês em mês.

O silêncio do mito de pés de barro

O próprio Bolsonaro já classificou como “cagada” (golpe de sorte), a chegada dele à presidência de uma das maiores economias do mundo. Vendo seu comportamento diante das investigações sobre a tentativa de golpe de oito de janeiro de 2023, fica difícil imaginá-lo como um grande líder político capaz de arregimentar mais de 58 milhões de eleitores. A investigação da Polícia Federal (PF) revelou um homem fraco, um político medíocre e um líder sem fibra, sem convicção. O depoimento de ontem, que poderia funcionar como uma espécie de manifesto político, com o silêncio de Bolsonaro, transformou-se num evento patético, deprimente. Onde foram as arminhas e ameaças aos adversários, que ele considera inimigos? Os tapas na mesa, os palavrões e ameaças, principalmente a petistas e jornalistas? “Entrou calado e saiu mudo”, com rabo entre as pernas. Ao mesmo tempo, os desavisados, que serviram de bucha de canhão, vão sendo condenados a penas que variam entre 8 e 17 anos de prisão.

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