Fogo amigo

Na imprensa nacional, tradicionalmente concentrada no Rio e São Paulo, o fogo amigo grassa. Por razões de uma certa geopolítica, quem frequentemente vem sendo chamuscado pelas labaredas do jogo de intrigas é o baiano Rui Costa. Além da recente divulgação de que teria sido ele o vazador da inconveniência de Janja na China, o rumor de uma possível candidatura sua ao governo da Bahia no ano que vem, publicado num jornal carioca, causou estragos na relação dele com o governador Jerônimo Rodrigues e conturbou o ambiente entre os petistas do estado.

Disputa ao Senado

Para destemperar ainda mais o ambiente, circulou também na imprensa a especulação de uma possível desistência da candidatura à reeleição do senador Jaques Wagner. Quando viu que a história de ficar de fora da majoritária estava ganhando corpo, ontem mesmo Wagner ratificou que vai disputar o Senado no ano que vem e o candidato ao governo do estado na chapa será o atual mandatário Jerônimo Rodrigues. Não mencionou o nome de Rui Costa.

Ouvido de mercador

Rui Costa não deixou por menos. Reiterou o seu interesse em disputar uma cadeira ao Senado em 2026 e reafirmou que Jerônimo também é seu candidato ao governo da Bahia. Pelo dito por Rui e Wagner ontem, o PT vai para as urnas com uma chapa majoritária puro-sangue. O indicativo é de que fizeram ouvidos de mercador ao recado do senador Otto Alencar, quando ele sinalizou a insatisfação do PSD com a possível exclusão. A oposição na Bahia acompanha o desenrolar dos acontecimentos com a esperança de trazer o PSD para o seu arco de aliança.

Special Sits raiz

Atuando no mercado de empresas em dificuldades desde a década de 80, o baiano Nelson Tanure se transformou numa lenda nacional no mercado conhecido como “Special Situations” ou simplesmente Special Sits. Com resultados emblemáticos em seu portfólio, Tanure colocou em sua alça pra valer a Braskem.

Special Sits raiz II

Especialista em reestruturação de empresas, Tanure frequentemente aparece na mídia por associações polêmicas. Uma das mais recentes que, segundo gente muito próxima, tem tirado sua paz e alterado seu comportamento diário é a parceria com os controladores do Banco Master. Com muito boato e pouco fato, Tanure tem sido dragado injustamente para brigas históricas da Faria Lima, onde sempre se manteve neutro por sabedoria. 

Motta no holofote

O maior popstar da política nacional, o deputado Nikolas Ferreira, colocou o presidente na Câmara Hugo Motta numa saia justa ao acionar o STF para que Motta finalmente dê andamento na CPI do INSS. Passeando no exterior há algumas semanas, Motta tem protelado a discussão de assuntos de interesse do país para atender às solicitações do presidente Lula, que continua desesperado com a repercussão de um dos maiores escândalos da República. Enquanto isso, aposentados continuam sem ressarcimento e ninguém ainda foi preso. 

Na Boa Vista

Um bem casado empresário do Nordeste, que recebia pelo menos um milhão mensais do esquema multi bilionário do INSS, a partir da era Lula III, comprou uma bela mansão no condomínio Fazenda Boa Vista em Porto Feliz, São Paulo, por setenta milhões de reais. Sócio de uma seguradora que patrocina um time de futebol da capital paulistana, a cara de pau do empresário continua a mesma, se vangloriando para amigos e políticos nordestinos que o visitam em sua mansão dos crimes de desvio de dinheiro público e de gente indefesa e vulnerável. 

Na Boa Vista II

Um dos condomínios de campo mais exclusivos e caros do Brasil, a Fazenda Boa Vista, se transformou num dos ícones de que no Brasil o crime compensa. Entre poucas casas de executivos de bancos estrangeiros, mega mansões de sonegadores, lobistas, ladrões do INSS e laranjas de políticos dominam o local. Pelo visto, só a Receita e a Polícia Federal ainda não descobriram isso. Será por quê?

Gaza é ali

A Faixa de Gaza não fica muito longe de quem mora em Salvador, na Bahia. Ela pode ficar logo ali na região da Vasco da Gama, área central da cidade, ou na periferia: Subúrbio Ferroviário e Tancredo Neves. Esses são alguns dos locais conflagrados na capital baiana onde as facções criminosas disputam violentamente territórios em intensos embates bélicos com uso de armamentos pesados em incessantes tiroteios. A barbárie não se dá por questões milenares de ordem religiosa, mas devido ao fracasso do estado em exercer o seu papel de organizar e regular a vida social, que virou um pesadelo para baianos e baianas. 

Pródiga em facções

A violência avassaladora na Bahia, líder absoluta em homicídios no país, não se limita à capital. Espalha-se por todo o estado que se tornou pródigo na produção de facções criminosas. São dezenas delas que, quando não são satélites dos poderosos CV e PCC, neles se inspiram para a prática delituosa do tráfico de drogas, roubos, assaltos e uma miríade de crimes.

Infiltração criminosa

A infiltração da bandidagem no aparelho de estado baiano é flagrante. Mais de dois mil policiais respondem a processos administrativos sob suspeita de envolvimento com o crime organizado. Na Assembleia Legislativa da Bahia, um deputado estadual apontado por investigações da Polícia Federal de vinculação com facções até hoje não foi convocado ao Conselho de Ética da Casa. Na Câmara Municipal de Salvador, há casos de clientelismo entre vereadores e traficantes. Parentes desses criminosos são contratados como assessores para garantir o acesso dos políticos aos bairros dominados pelo crime organizado.

Cego em tiroteio

Estreante na política com a difícil missão de governar a complicada Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) está como um cego no meio de tantos tiroteios que tomaram conta da outrora “Terra da Felicidade”, cantada por Ary Barroso. Recentemente, promoveu uma série de mudanças nos comandos das polícias do estado e, no último final de semana, novas trocas foram oficializadas no Diário Oficial. Será que é por meio do D.O. que será resolvido o grave e complexo problema da falta de segurança pública na Bahia, que tanto se agravou nas gestões petistas?

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