Como esta coluna antecipou, a Rede Globo – leia-se os irmãos Roberto Irineu Marinho e João Roberto Marinho – está indo às compras no Nordeste.
Em meio ao turbilhão da Lava-Jato e às vésperas das eleições presidenciais de 2018, tudo o que os sucessores do doutor Roberto Marinho não querem é ter, entre seus acionistas, proprietários de afiliadas da emissora indiciados na Lava Jato, como o ex-presidente e ex-senador José Sarney – imperador do sofrido estado do Maranhão durante décadas -, citado na delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado como beneficiário de R$ 16,2 milhões em propina, pagos em dinheiro vivo, entre 2006 e 2014.
Agora que verdades inconvenientes como estas estão vindo à tona – e Sarney está sendo convocado para depor -, os Marinho lutam para transferir a propriedade e comando de suas emissoras regionais a empresários mais jovens, desvinculados da política, e com ficha limpa.
Além da afiliada da Globo no Maranhão, as “coligadas” da emissora no Rio Grande do Norte (leia-se Henrique Eduardo Alves, ex-ministro de Turismo dos governos Dilma e Temer, atual Lava-Jato), do Ceará (Tasso Jereissati, senador e imperador da Rede Globo no estado, envolvido em sucessivas denúncias de desvios de dinheiro público) e Bahia (de ACM Neto – prefeito de Salvador e “Lava Jato” – e dos herdeiros de Luís Eduardo Magalhães, filho do patriarca Antônio Carlos Magalhães) estão na lista de compras dos filhos do doutor Roberto.
Além da motivação política – “precisamos apagar este passado e eliminar este presente” -, um outro dado pesa nesta decisão empresarial: com a crise (e as sucessivas denúncias) os resultados da Globo no Nordeste estão bem abaixo das expectativas.
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