Que fase, Itamaraty!

Há muita apreensão no Itamaraty e no mundo diplomático. O Ministério das Relações Exteriores, uma das mais sólidas e respeitadas instituições brasileiras, que conseguiu o feito de sobreviver a 21 de anos de ditadura com relativa dignidade, vive um dos seus piores momentos. O encontro do presidente da República com embaixadores, para assacar mentiras e teorias da conspiração contra as eleições e as urnas eletrônicas, foi o ponto mais baixo que o Itamaraty viveu em muitos anos. A presença do chanceler no evento foi talvez a parte mais constrangedora. É certo que o atual presidente tem apoiadores na casa, mas a grande maioria dos diplomatas é estritamente profissional e com qualquer governo defende os interesses do país, o que fica mais difícil a cada dia, com uma política externa errática, pobre, pouco criativa e isolacionista. A Fundação Alexandre de Gusmão, importante fomentador de debates e produção acadêmica, depois de servir de palco para todo tipo de negacionista, parece ter entrado em recesso permanente. E até o Arquivo do Itamaraty, importantíssimo para pesquisadores do mundo todo, está fechado desde 2020 e pelas informações do próprio MREx não tem previsão de ser reaberto a curto prazo; provavelmente só com um novo governo. Não há questão técnica que justifique tal situação. Mas como bem sabemos, o atual governo pouco valoriza a pesquisa, vide os cortes brutais que tem feito na área.

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