De uns tempos para cá uma panela simbólica foi destampada no Brasil, liberando o que a sociedade brasileira tem de pior. Temos a impressão de que é impossível recolocar essa tampa, tal é a quantidade de eventos que nos apequenam e envergonham. Nesse caldo de cultura que, sejamos justos, se espraia por todo território nacional, o Rio Grande do Sul, aparece vez por outra com muito destaque. Os ataques racistas sofridos pelo cantor e compositor Seu Jorge em Porto Alegre mostram uma face conhecida e, infelizmente, recorrente do estado. O Rio Grande sempre foi conservador. Não custa lembrar que forneceu três dos cinco presidentes da ditadura militar (1964-1985), Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici e Ernesto Geisel. Foi no Rio Grande onde o partido fiel aos ditadores, a ARENA, conquistou algumas das suas maiores vitórias. A nossa ditadura tinha eleições de “fachada” para não chocar aliados do primeiro mundo. Mas racismo explícito da forma que se viu no Clube Náutico União, definitivamente, é novidade. Seria mais simples convidar um daqueles sertanejos que foram ao Planalto prestar homenagens ao candidato, que não esconde o seu racismo.