Não fôssemos o país das pizzas e dos militares que se consideram acima das leis e de qualquer suspeita, hoje certamente seria um dia histórico. Está marcado para as dez horas, o depoimento do general Augusto Heleno, ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governo Jair Bolsonaro (PL), na Comissão Parlamentar de Inquérito-CPI dos Atos Antidemocráticos, na Câmara Legislativa do Distrito Federal. O depoimento está causando ansiedade em Brasília. A pergunta que não quer calar é: Será que o Heleno vai? Em abril, o general da reserva desistiu (ou se negou) de prestar depoimento na CPI. Começou então uma delicada negociação. A convocação foi convertida em convite, após um pedido do Exército. Afinal, um general não é um cidadão qualquer, mesmo sob a suspeita de que tenha cometido delitos graves. A mudança foi negociada pelo comandante-geral do Exército, general Tomás Miguel Ribeiro, que em troca garantiu a presença de Heleno. A CPI dos Atos Antidemocráticos da CLDF apura os ataques terroristas ocorridos em Brasília nos dias 12 de dezembro de 2022 e 8 de janeiro de 2023. Em 12 de dezembro, apoiadores radicais do presidente Jair Bolsonaro deflagraram uma série de atos de vandalismo na capital federal e danificaram e incendiaram carros e ônibus. Em 8 de janeiro, grupos terroristas invadiram e depredaram as sedes dos três poderes.