Houve um tempo em que evangélicos extremados chutavam imagens de santos na TV, incendiavam terreiros ou ameaçavam praticantes de religiões de matriz africana, sem que nenhum líder religioso se pronunciasse para conter a violência. Mas hoje em dia, os fundamentalistas evangélicos podem se dedicar a outros tipos de intolerância religiosa. A tarefa de aterrorizar terreiros de Candomblé e casas de Umbanda está por conta do tráfico de drogas. Não é segredo para ninguém que no Rio de Janeiro, devido a um trabalho desenvolvido por igrejas neopentecostais, em prisões, comunidades pobres e favelas, os evangélicos são maioria no tráfico de drogas. Não há números oficiais, mas as evidências são incontestáveis. O chamado Complexo de Israel é o melhor exemplo. A facção, que se autodenomina “Tropa de Arão”, uma figura cristã, irmão de Moisés, domina as favelas de Parada de Lucas, Vigário Geral e outras três comunidades na Zona Norte da cidade. E utilizam referências bíblicas como símbolos. A estrela de David foi espalhada em muros e bandeiras nas entradas das favelas. As igrejas evangélicas neopentecostais guardam um obsequioso silêncio em relação ao fenômeno. Segundo as polícias cariocas, o território no qual atua a facção, foi batizado de “Complexo de Israel” em referência à “terra prometida” para o “povo de Deus”.